Quatro cargueiros com grãos zarpam dos portos ucranianos

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Com quase 170 mil toneladas, embarcações deixaram neste domingo os portos de Odessa e Chornomorsk, no Mar Negro. Acordo histórico entre Rússia e Ucrânia permitiu retomada da atividade, que havia sido interrompida após o início da guerra, em fevereiro. Foto de 7 de agosto de 2022 mostra o cargueiro Riva Wind, que tem bandeira das Ilhas Marshall, no porto de Odessa, na Ucrânia, após o restabelecimento das exportações de grãos pelo país, que estava interrompida desde o início da invasão pela Rússia, em fevereiro
Divulgação/Ministério da Infraestrutura da Ucrânia via Reuters
Quatro navios de carga com quase 170 mil toneladas de grãos zarparam neste domingo (7) dos portos de Odessa e Chornomorsk, no Mar Negro, anunciaram autoridades da Ucrânia. As embarcações puderam partir graças a um acordo histórico para tentar aliviar a crise alimentar global provocada pela guerra com a Rússia.
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“O segundo comboio com entregas ucranianas acaba de sair dos portos de Odessa e Chornomorsk: três navios de Chornomorsk, e outro de Odessa”, informou no Telegram o Ministério da Infraestrutura ucraniano.
De acordo com a pasta, as embarcações são os cargueiros Mustafa Necati, Star Helena, Glory e Riva Wind, que transportam “quase 170 mil toneladas de mercadorias”.
Um dos maiores exportadores de grãos do mundo, a Ucrânia foi obrigada a interromper quase todas as vendas após a invasão russa de 24 de fevereiro, o que provocou a disparada dos preços dos alimentos no mundo.
A retomada da atividade representa um pequeno raio de esperança, no momento em que a guerra entra no sexto mês e decorre de um esforço supervisionado por um Centro de Coordenação Conjunta em Istambul, na Turquia (leia mais ao final desta reportagem). Lá, trabalham representantes russos, ucranianos e turcos, além de funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU).
Na terça-feira (2), o primeiro carregamento autorizado desde o início da guerra chegou a Istambul. Isso só foi possível por causa de um acordo assinado em 22 julho entre os governos da Ucrânia e Rússia para restabelecer exportações de cereais ucranianos e de produtos agrícolas russos, apesar das sanções ocidentais. O objetivo é tentar aliviar a crise alimentar mundial.
A Turquia e a ONU participaram desse arranjo para desbloquear portos ucranianos e aliviar os mercados agrícolas. Neste sábado (6), o primeiro navio de bandeira estrangeira chegou à Ucrânia desde o início da guerra com a Rússia.
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Acusação da Rússia contra a Ucrânia
Também neste domingo, a administração da ocupação russa acusou o exército ucraniano de ter voltado a bombardear a central nuclear de Zaporizhzhia, no sul do país.
Ucrânia e Rússia trocam acusações pelos ataques contra central de Zaporizhzhia, o maior complexo nuclear da Europa, que está sob controle russo desde março.
Na madrugada de domingo, “o exército ucraniano executou um ataque com uma bomba de fragmentação disparada por um lança-foguetes Hurricane”, acusaram as autoridades de ocupação da cidade de Energodar, onde fica a central.
“Os fragmentos e o motor do foguete caíram a 400 metros de um reator em funcionamento”, afirmou a administração da ocupação. O ataque atingiu edifícios administrativos e uma “área de armazenamento de combustível nuclear usado”. Não foram apresentadas, contudo, provas que respaldassem as acusações.
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Mariano Grossi, afirmou neste sábado (6) que os ataques provocam o risco de um “desastre nuclear”.
“Qualquer ataque militar direcionado contra ou a partir da instalação seria o equivalente a brincar com fogo, com consequências potencialmente catastróficas”, disse Grossi.
O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, condenou “uma grave e irresponsável violação das normas de segurança nuclear” e disse que os ataques “são um novo exemplo do desprezo da Rússia pelas normas internacionais”.
A Anistia Internacional lamentou neste domingo a “indignação” causada por seu relatório no qual acusa as forças armadas ucranianas de colocarem civis em perigo durante a guerra, provocando fortes críticas de Kiev.
“A Anistia Internacional lamenta profundamente a angústia e a indignação causadas pelo nosso comunicado de imprensa sobre as táticas de combate no exército ucraniano”, disse a entidade.
O relatório, publicado em 4 de agosto, levou à renúncia do chefe da Anistia na Ucrânia, Oksana Pokalchuk, que acusou o documento de servir involuntariamente à “propaganda russa”.
Raio de esperança
A retomada das exportações de grãos ucranianos para ajudar a aliviar a escassez mundial de alimentos e reduzir os preços representa um pequeno raio de esperança, no momento em que a guerra entra no sexto mês.
No Vaticano, o papa Francisco afirmou neste domingo que a retomada das exportações de grãos ucranianos é um “sinal de esperança” e uma prova de que um diálogo é possível para acabar com a guerra.
“Este passo demonstra que é possível dialogar e alcançar resultados concretos que beneficiem a todos”, disse o pontífice aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, ao final da tradicional oração do Angelus.
O Centro de Coordenação Conjunto (CCC), que supervisiona as operações em Istambul, anunciou no sábado que cinco cargueiros partiriam dos portos ucranianos neste domingo, mas Kiev informou apenas quatro.
No sábado, um cargueiro chegou vazio ao porto de Chornomorsk para receber grãos pela primeira vez desde a invasão russa da Ucrânia.

Fonte: G1 Mundo