Jovem de 19 anos cria projeto que cultiva mudas do cerrado para doação: ‘Vontade de agir para ajudar a natureza’

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Pedro Augusto Miranda, fundou o Ipê do Cerrado para doar e plantar mudas na capital. Tocantins está em 2º lugar no ranking de desmatamento, segundo o Inpe. Estudo mostra que desmatamento no cerrado aumentou
O Tocantins está entre os que mais desmataram áreas do cerrado em 12 meses. Ocupando o segundo lugar no ranking do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), são quase 20% de áreas destruídas. Mas mesmo com esses números alarmantes, há quem se preocupe com o futuro do cerrado e trabalhe para minimizar esses impactos. É o caso de Pedro Augusto Miranda, fundador do projeto Ipê do Cerrado.
A iniciativa cultiva mudas prontas, que são doadas ou plantadas em diferentes pontos de Palmas. Para montar o viveiro, Pedro conseguiu parceria com uma universidade particular.
“O que me despertou foi a vontade de agir de alguma forma que eu pudesse ajudar a natureza. Porque eu queria sair daquela inadimplência de sempre ficar esperando os outros fazerem. E eu mesmo começar a agir, ao invés de ficar lamentando pela perda ambiental, de morrer animais, de morrer florestas”, disse.
Pedro também planta mudas pela capital
TV Anhanguera/Reprodução
O trabalho do jovem é grandioso, mas ainda enfrenta a realidade do desmatamento. No Tocantins, do total de árvores derrubadas nos últimos 12 mesesno cerrado, 19% estavam plantadas no estado, conforme o Inpe.
O programa do Inpe identifica apenas áreas maiores que um hectare, onde a vegetação nativa foi retirada, não levando em consideração a utilização posterior das regiões. No Brasil, a devastação passou de 10.688,73 km² no mesmo período.
“Você tem que ter o sistema de monitoramento eficaz, que mantenha a sociedade informada, que o próprio governo tenha essa informação disponível de onde está acontecendo esse desmatamento, qual a extensão, poder avaliar o impacto disso. Então a primeira coisa é você ter que ter esse sistema funcionando”, disse Cláudio Almeida , coordenador do Programa Monitoramento da Amazônia E Demais Biomas, do Inpe.
O especialista destacou também que os órgãos ligados ao meio ambiente e de proteção aos biomas precisam ter acesso a essas informações para fazer um planejamento de combate e fazer as autuações necessárias.
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Problemas identificados
Uma série de fatores contribui para que o estado chegue a este ponto, como por exemplo a falta de fiscalização e liberação de licenças para desmatamento ilegal.
Órgãos recebem denúncias de desmatamento
Divulgação
Recentemente, dois ex-presidentes do Naturatins foram condenados pela justiça por autorizarem essas ações em Paranã e Cariri do Tocantins. A multa pelos danos ambientais passou de cinco milhões. Um servidor e três consultores ambientais também foram condenados pela fraude.
Mas apesar do alto valor da multa, a extensão do desmatamento ilegal só aumenta no estado, gerando impactos ambientais cada vez maiores.
“As principais bacias tem os nascedouros dentro do cerrado. Bacia de São Francisco, bacia Tocantins/Araguaia, do rio Paranã, todas vão nascer na região do cerrado brasileiro. Se você começa a diminuir essas plantas que vão absorver, fazer essa infiltração de água na região, ela diminui chuva na região e vai diminuir, consequentemente, a disponibilidade de água para todas essas bacias”, explicou o coordenador do Inpe.
A TV Anhanguera questionou o Naturatins e a Secretaria do Meio Ambiente sobre o aumento do desmatamento e aguarda resposta dos órgãos.
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Fonte: G1 Tocantins