Jogos Olímpicos e pandemia: veja como países campeões de medalhas se saíram no combate à Covid; China e Austrália deram melhores respostas

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Com diferentes realidades, países divergiram na forma comoresponderam à emergência sanitária. Veja erros e acertos dos medalhas de ouro. Foto de 12 de abril de 2021 mostra os anéis olímpicos flutuando nas águas de Tóquio
Eugene Hoshiko/AP
Velocidade, precisão e muito treino. Os países sabem bem qual é a fórmula para garantir um lugar no pódio durante as Olimpíadas de Tóquio, que começaram oficialmente nesta sexta-feira (23).
Mas no último ano, além da preparação para os jogos, todos eles encararam um desafio que nunca tinham enfrentado antes: a pandemia da Covid-19.
Esta reportagem mostra como as dez maiores potências olímpicas conseguiram, ou não, lidar com essa crise sanitária mundial.
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Cada país à sua maneira, eles precisaram se adaptar à nova realidade em tempo recorde e responder – em tempo real – a um vírus mortal e desconhecido de todos.
Alguns países acertaram na mosca, outros, derraparam na pista. Entre as dez maiores potências olímpicas, China e Austrália foram as que tiveram a melhor resposta a esta emergência sanitária.
Os dois países conseguiram controlar, de maneira efetiva, o avanço da doença e, com isso, reduziram fortemente o número de novas infecções e mortes pelo coronavírus.
Para isso, as autoridades locais tomaram medidas drásticas: fechamento de fronteiras, lockdown e uma política intensa de testagens e rastreio de contatos (leia mais adiante nesta reportagem).
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Em números absolutos, os Estados Unidos se mantêm à frente em quase todos os rankings: em número de medalhas, de vacinas aplicadas e mortes (veja na tabela acima).
Proporcionalmente, o país de 326 milhões de habitantes ocupa a 4ª posição no ranking de mortes por complicações do coronavírus (veja no gráfico a seguir).
Nesta comparação – a cada 100 mil habitantes – é a Hungria quem desponta, seguida por Itália e Reino Unido, segundo dados do levantamento da universidade americana Johns Hopkins.
Austrália, modelo de combate
A Austrália, país com uma população de 25 milhões de habitantes, conseguiu ser um dos que menos registrou mortes por coronavírus em todo o mundo. O primeiro óbito por contaminação local da Covid-19 neste ano foi registrado em julho, como mostra o vídeo abaixo.
VÍDEO: Austrália registra 1ª morte no ano por contaminação local de Covid-19
Assim como a vizinha Nova Zelândia, o país criou estratégias rígidas de lockdown e controle com testes e rastreio de contatos, o que a deixa com um baixo número de mortes (916) em mais de um ano de pandemia.
Por conta da baixa taxa de infecções e mortes por Covid-19, a Austrália demorou para iniciar uma campanha de vacinação em massa – que começou oficialmente no final de fevereiro deste ano, enquanto outros países desenvolvidos haviam iniciado em dezembro do ano anterior.
Pela demora, o país vacinou até este sábado (24) cerca de 18% da sua população apenas com a 1ª dose da vacina, e outros 13% receberam a imunização completa, segundo o levantamento da plataforma Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford.
A vacinação lenta se transformou em uma preocupação com a chegada da variante delta, mais transmissível, mas não resistente às duas doses da vacina.
Diversas cidades do país já anunciaram a volta ao confinamento em ao menos duas regiões por conta da identificação de casos desta variante já em circulação, é o caso de Melbourne e Sydney. A medida afeta cerca de 12 milhões de pessoas, quase a metade da população do país.
China: 1º epicentro, 1º país a controlar
O novo coronavírus foi registrado pela primeira vez na cidade de Wuhan, na China, ainda no final de 2019. O local rapidamente se transformou no epicentro da doença, identificada então como uma “pneumonia misteriosa”.
Tão logo nos primeiros dias de janeiro, o governo chinês decretou o isolamento de metrópoles inteiras e interrompeu viagens de trem e avião nas regiões afetadas.
Impulsionado pelas medidas rígidas de controle, o país de mais de 1,3 bilhão de habitantes apresenta números impressionantes: 4 mil mortes pela doença e cerca de 91 mil casos de infecção.
Por lá a vacinação também avança rapidamente, e ao menos 1,5 bilhão de doses já foram aplicadas. No mês passado, a mesma Wuhan que se fechou em 2020 fez uma festa de formatura gigante, com 11 mil estudantes reunidos. Em maio, um festival de música reuniu milhares de pessoas na cidade, como mostra o vídeo abaixo.
Milhares de pessoas vão a festival de música em Wuhan, na China
Os dez mais
Entre as potências olímpicas, não houve consenso. Cada país decidiu a melhor forma de responder à crise. Veja os erros e acertos dos maiores medalhistas:
Estados Unidos

Principal potência olímpica, os EUA se destacaram na pandemia mais por erros que acertos. O país ocupa o 1º lugar no triste ranking de mortes – são mais de 600 mil. No entanto, os números despencaram após uma campanha bem-sucedida de vacinação em massa que já atinge cerca de 48% da população adulta do país de 328 milhões de habitantes com as duas doses, e 7% apenas com a primeira dose.
Itália

Em um primeiro momento, a Itália foi considerada epicentro da pandemia – logo após a China controlar o avanço da doença. O país chegou a registrar, ainda em abril do ano passado, quase 1 mil mortes por Covid-19 a cada 24 horas. Com o avanço da vacinação (46% da população completamente imunizada), a Itália vem reduzindo fortemente o número de mortes desde o fim de abril deste ano.
Reino Unido
O país enfrentou duas ondas muito claras da epidemia no meio de 2020 e começo de 2021, o que impôs um rigoroso lockdown nacional. Além disso, com o investimento em uma rápida campanha de vacinação – a primeira do ocidente – quase 70% da população adulta já garantiu ao menos 1 dose da vacina. E por lá, o número de mortes despencou das mais de 1,2 mil a cada dia em janeiro deste ano para menos de 100.
França
Após uma primeira onda agressiva, mas rapidamente controlada, a França viu as mortes voltarem a subir no fim do ano passado, o que forçou o governo do país a impor mais restrições e toque de recolher. Com o avanço da vacinação – 44% da população com as duas doses e 14% com a primeira dose – o país tem registrado uma queda significativa nas mortes diárias desde o fim de abril (foi de 300 para menos de 20).
Alemanha

O país teve dois momentos claros durante a pandemia. Inicialmente, quando seguiu com isolamento, conseguiu manter os números baixos enquanto países vizinhos enfrentavam graves problemas. No entanto, uma segunda onda da pandemia atingiu a Alemanha com força, principalmente após as festas de fim de ano, que acompanharam um relaxamento nas medidas sanitárias. Como reflexo da abertura antecipada, a contagem de mortes se manteve alta, chegando ao pico de 888 em apenas 24 horas ainda em janeiro deste ano. O número só baixou com o avanço da vacinação (48% dos alemães com as duas doses da vacina e 12% com apenas uma dose).
Hungria

Considerado o país da União Europeia com maior proporção de população completamente vacinada – são 55% com as duas doses e 2% com apenas a 1ª –, é também um dos que está entre o piores do mundo em número de mortes por Covid-19 a cada 100 mil habitantes. São mais de 300 por 100 mil. Nessa comparação, a Hungria fica à frente de países como EUA, Brasil e Índia, por exemplo. Mas já é possível ver os efeitos da vacinação no país, com a queda brusca no número de mortes registradas desde abril de 2021.
Suécia
A forma como a Suécia lidou com a pandemia foi alvo de polêmicas. O país decidiu não decretar isolamento nem tornar obrigatório o uso de máscaras – medidas tomadas em todos os países da Escandinávia. A medida, reconhecida como um erro posteriormente pelo governo, fez com que o país de pouco mais de 10 milhões de habitantes, tivesse, proporcionalmente, mais que o dobro de mortes da Alemanha durante a 1ª onda europeia (entre março e abril de 2020).
Rússia
Por causa de um escândalo envolvendo o uso de doping, os atletas da Rússia competirão sem a bandeira nacional em Tóquio. Seja como for, o país aparece no ranking como um dos maiores medalhistas da história – mas sua resposta à pandemia deixou a desejar. Tendo controlado aparentemente as transmissões em um primeiro momento, a Rússia vem enfrentando recordes diários de mortes e infecções por conta da alta transmissão da variante delta. O país foi um dos primeiros a começar uma campanha nacional de vacinação, ainda em dezembro do ano passado, mas tem enfrentado dificuldades em convencer a população a se proteger – apenas 8% com a 1ª dose e 16% com as duas necessárias da vacina.
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Fonte: G1 Mundo