Imagens mostram estado de casarões do século XIX que serão reformados pelo Iphan: ‘Não queremos obra paliativa’

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Ao todo, sete casarões passarão por obras em Porto Nacional. Apesar das condições, imóveis não passarão por reforma completa e moradores cobram restauração para preservar patrimônio histórico. Iphan vai fazer reparos sete casarões antigos de Porto Nacional
Imagens feitas em Porto Nacional mostram o estado crítico em que se encontram os casarões construídos no século XIX e que fazem parte do patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Sete desses imóveis antigos passarão por reparos, mas moradores cobram por uma restauração completa.
Na cidade, são mais de 200 casarões tombados pelo Iphan. Muitos deles estão em situação precária e alguns, já em ruínas.
Casa receberá reforma do Iphan
Cejane Pacini/Iphan
Na rua Coronel Pinheiro, uma das primeiras de Porto Nacional, essas duas casas não resistiram e desabaram. Só sobrou a fachada e, na parte de dentro, paredes de adobe, uma delas sustentada por uma porta.
A casa da guia de turismo, Osvaldina Fonseca, que fica ao lado, acabou sendo afetada e está com várias rachaduras nas paredes e com parte do reboco caindo. “De repente foi aquele barulhão das paredes caindo, a gente pensava que era aqui”, relembrou.
Casa na rua Coronel Pinheiro, no centro histórico de Porto Nacional
Gabriela Pontes Monteiro/Iphan
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Para evitar novos desabamentos, o Iphan vai iniciar uma ação emergencial em sete imóveis. Serão investidos mais de R$ 577 mil.
“É um recurso do próprio Iphan, que vai ser aplicado nesses imóveis. Vão ser feitas as estabilizações das paredes que têm fissuras, a cobertura, porque um dos grandes problemas é a entrada de água pela cobertura”, explicou a superintendente do Iphan no Tocantins, Cejane Pacini.
A casa da dona Osvaldina é uma das que serão restauradas. “Eles vão tentar conter as outras e vão fazer uma amarração no teto da minha e vão tirar as fissuras e uma infiltração”.
Um dos mais importantes casarões do centro histórico da cidade também está em situação precária. Nele, já funcionou o abrigo de idosos João XXIII. As paredes estão com umidade, rachaduras e perdendo o adobe. Na parte de cima, faltam muitas telhas.
Fachada do antigo abrigo João XXIII
Cejane Pacini/Iphan
“O principal casarão da história de Porto Nacional ficou abandonado, está jogado às traças”, reclamou o historiador Edvaldo Rodrigues.
Os reparos que serão feitos pelo Iphan não chegam a ser uma restauração. Isso porque, segundo o órgão, os recursos para reformas não podem ser gastos em imóveis particulares.
“A União aplica esses recursos federais em imóveis particulares quando é comprovada a hipossuficiência financeira e em alguns casos, quando a gente vê que por uma ação de fiscalização, não foram tomadas providências cabíveis, então é feito para evitar perdas”, explicou a superintendente.
Situação do interior do antigo abrigo
Cejane Pacini/Iphan
Como muitos dos imóveis nessa situação estão abandonados pelos proprietários e não serão contemplados na reforma, a situação preocupa quem conhece e valoriza a história.
“Nós não queremos uma obra paliativa. Porto Nacional não está atrás de uma obra paliativa, nós queremos a restauração desse casarão, inclusive com a área em volta”, enfatizou o historiador Edvaldo.
“É muito triste vermos as casas daqueles primeiros moradores, que não tinham estudo, mas eles tinham inteligência de fazer casas que perduraram por século”, finalizou Osvaldina.
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Fonte: G1 Tocantins