Homem espancado por policiais rodoviários mostra hematomas e diz que estava algemado na hora da agressão: ‘Não precisava disso’

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Jairon Pereira de Souza da Silva, de 36 anos, disse que tentou escapar de blitz, mas que não resistiu à abordagem ou desacatou policiais. Agressão aconteceu em um posto de gasolina do Aureny I. Vítima de agressão por policiais da PRF fala pela primeira vez
O lanterneiro Jairon Pereira de Souza da Silva, de 36 anos, tem na pele as marcas deixadas por policiais rodoviários federais durante uma abordagem. Ele falou pela primeira vez o que aconteceu na noite de sexta-feira (6), em que tentou escapar de uma blitz, mas acabou sendo algemado e agredido pela equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O vídeo circulou nas redes sociais e mostrou um homem negro sendo agredido com socos e chutes por policiais rodoviários federais. Tudo aconteceu em um posto de combustíveis no Jardim Aureny I.
Ele contou que realmente estava com a documentação irregular, que havia ingerido bebida alcóolica, mas que a ação foi com muita violência.
Hematoma deixado por policiais rodoviários federais
TV Anhanguera/Reprodução
“O documento estava atrasado, né, e eu tinha tomado umas quatro cervejas. Eu errei porque tentei escapar para eles não pegarem. Peguei a 010 [BR] porque eu moro em Taquaralto. Eu queria parar, mas já tinha fugido e eles atrás […] e fui parar em um lugar claro”, disse, explicando que não quis parar o carro na rodovia porque estava escuro.
Tudo isso aconteceu por volta das 22h. As imagens feitas por testemunhas mostram ele sendo retirado do carro, fica deitado no chão e leva socos e pontapés de pelo menos dois integrantes da PRF. O lanterneiro afirmou que não resistiu em nenhum momento, não houve desacato, mas ainda assim foi algemado.
“Eles botaram a minha mão para trás e começaram a me agredir. Eu falei, não moço, sou trabalhador, errei porque dei fuga, eu não sou uma pessoa errada, não mexo com coisa errada. E foi praticamente isso, naquela hora que aconteceu o espancamento”, relembrou.
O lanterneiro Jairon Pereira de Souza da Silva contou o que aconteceu na noite da agressão
TV Anhanguera/Reprodução
Na delegacia
Jairon foi levado para a 1ª Central de Atendimento por volta das 23h e teve o carro apreendido. Os policiais alegaram os crimes de embriaguez ao volante e desobediência.
Ele foi ouvido, pagou fiança e, como falou do espancamento, foi encaminhado junto com o delegado plantonista e um agente para o Instituto Médico Legal (IML) para passar por um exame de corpo de delito. Depois desses procedimentos, ele foi liberado, informou a Polícia Civil.
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Mas segundo um documento obtido pela equipe do Jornal do Tocantins e confirmado pelo g1, dois policiais rodoviários federais tentaram mudar o depoimento para fraudar o boletim de ocorrência.
As informações foram relatadas pelo delegado Thiago Vaz Resplandes ao juiz da 2ª Vara Criminal de Palmas.
No texto, o delegado relatou que, a princípio, os policiais disseram que o motorista manteve-se colaborativo durante toda a abordagem, diferente do que foi flagrado e divulgado nas redes sociais.
O delegado citou que caberia prisão aos agentes da PRF mas que, naquele momento, não poderia efetuar devido a baixa quantidade de policiais civis no plantão e, possível tragédia, caso os agentes resistissem.
No documento o delegado também disse que os policiais que levaram Jairon para a delegacia foram Matheus Fernandes de Brito e Walley Xavier Ramalho. A PRF disse que não vai comentar o assunto.
No sábado (7), o superintendente Almir Eustáquio da Silva afirmou que a equipe envolvida foi afastada das atividades até o final da investigação do caso.
Mesmo assim, Jairon acredita que houve abuso. “Sei que fui errado, mas acho que não precisava disso tudo não. Era só eles terem me prendido, levado o carro, mas não precisava espancar. Que isso não aconteça com outra pessoa”, desabafou.
O g1 tenta contato com a defesa dos policiais rodoviários federais.
O que diz a Segurança Pública
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o efetivo de policiais civis disponibilizado nas Centrais de Atendimento é o suficiente para atender as demandas do dia a dia. O termo “baixo efetivo” utilizado pelo delegado plantonista, como bem explícito na comunicação feita à Justiça, se deve ao fato atípico ocorrido naquele plantão.
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Fonte: G1 Tocantins