Grande crítica de Trump, Liz Cheney perde cadeira no Congresso dos EUA

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Deputada, que é vice-presidente da comissão que investiga invasão ao Capitólio em janeiro, foi derrotada nas primárias de seu partido, o Republicano, para Harriet Hageman, que é apoiada pelo ex-presidente do país. A deputada republicana Liz Cheney é vice-presidente do comitê que investiga a invasão ao Capitólio dos EUA, na audiência de inauguração do grupo, em 9 de junho de 2022.
Reuters
A deputada dos Estados Unidos Liz Cheney, umas das mais duras críticas de Donald Trump, não poderá voltar a disputar uma cadeira no Congresso em novembro. Cheney perdeu na terça–feira (16) a disputa interna do Partido Republicano em Wyoming para Harriet Hageman, que recebeu o apoio incondicional do ex-presidente.
Com o resultado, Hageman, que apoia as afirmações de Trump de que as eleições de 2020 foram objeto de “fraude”, disputará a cadeira por Wyoming na Câmara de Representantes nas eleições de meio de mandato.
Ao reconhecer a derrota, Liz Cheney prometeu fazer todo o possível para evitar que Trump volte à presidência dos Estados Unidos.
“Desde 6 de janeiro eu afirmo que farei o que for preciso para garantir que Donald Trump nunca mais chegue perto do Salão Oval, e estou falando sério”, disse a congressista de Wyoming em um discurso depois da derrota nas primárias, que a deixou sem possibilidade de apresentar uma nova candidatura ao Congresso em novembro.
De fato, Cheney, de 56 anos, tem sido uma pedra no sapato do magnata republicano por copresidir o comitê da Câmara de Representantes que investiga o papel de Trump no ataque violento de seus apoiadores ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
A filha do ex-vice-presidente Dick Cheney é uma das coordenadoras do comitê que investiga se Trump “faltou ao dever” durante o ataque que tentava impedir a certificação da vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de 2020.
Em retaliação, o ex-presidente desencadeou sua fúria sobre Cheney, acusando-a de ser “desleal” e chamando-a de “fracassada que dá lições”.
Ele declarou apoio à principal adversária de Cheney, Harriet Hageman, uma advogada de 59 anos com quem se aliou em maio.
Hageman apoia as alegações de Trump de que as eleições de 2020 foram “fraudadas” e disputará a vaga por Wyoming – estado em que Trump venceu com mais de 70% dos votos na eleição presidencial.
O ex-presidente comemorou a derrota de Cheney, que chamou de “resultado maravilhoso para os Estados Unidos”.
“Agora ela pode finalmente desaparecer nas profundezas do esquecimento político onde, tenho certeza, será muito mais feliz do que é agora”, afirmou em sua rede social, Truth Social.
Ameaças de morte
Liz Cheney votou a favor do impeachment de Trump, que não avançou por ele ter sido absolvido no Senado, e tenta há mais de um ano desmantelar a tese defendida por milhões de trumpistas.
Desde que passou a investigar Trump e seus colaboradores, a deputada se tornou alvo de uma série de ameaças de morte e já não viaja sem escolta policial.
Isso a obrigou a realizar uma espécie de campanha nas sombras, sem comícios eleitorais ou eventos públicos.
Cheney, filha do ex-vice-presidente Dick Cheney, é descendente da direita tradicional, pró-armas e anti-aborto. Ela foi excomungada pelo Partido Republicano de Wyoming, cujo líder participou das manifestações no dia da tomada do Capitólio.
“Não importa quanto tempo tenhamos que lutar, esta é uma batalha que venceremos. Milhões de americanos de toda nossa nação, republicanos, democratas, independentes, estão unidos pela causa da liberdade”, disse Cheney em uma mensagem de vídeo publicada na semana passada.
“Somos mais fortes, mais entregues em mais determinados do que aqueles que tentam destruir nossas república. Esta é a nossa grande tarefa e vamos vencer”, declarou.
Na terça-feira também aconteceram votações no Alasca, onde a candidatura de Sarah Palin, uma das primeiras figuras do movimento contra as elites, gera divisão.
Palin, que concorreu à vice-presidência na chapa do republicano John McCain em 2008, é criticada por muitos eleitores por ter abandonado seu cargo de governadora do Alasca em 2009.
Uma pesquisa recente indica que 60% dos eleitores do Alasca têm uma opinião desfavorável sobre ela.

Fonte: G1 Mundo