Envolvimento com a seita Moon teria provocado troca de ministros no Japão

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Primeiro-ministro japonês Fumio Kishida reorganizou governo nesta quarta-feira (10) em meio à controvérsia sobre laços de seu partido com seita Moon, desde assassinato do ex-líder Shinzo Abe. Fumio Kishida (centro), cercado por membros de seu partido durante uma reunião para demitir ministros e altos funcionários muito próximos da seita Moon, 10 de agosto de 2022
Yohei Fukai/AP
O primeiro-ministro japonês Fumio Kishida, oscilando em popularidade, reorganizou seu governo nesta quarta-feira (10), incluindo a mudança de ministro da Defesa, em meio à controvérsia sobre os laços de seu partido com a seita Moon, desde o assassinato do ex-líder Shinzo Abe.
Kishida, cujo Partido Liberal Democrata (PLD, direita nacionalista) obteve uma vitória esmagadora nas eleições para o Senado no mês passado, potencialmente tem pela frente um período de três anos sem grandes eleições, permitindo que ele desenvolva seu programa.
O primeiro-ministro, no entanto, viu a sua popularidade despencar de acordo com várias pesquisas recentes, enquanto o Japão lida com a inflação descontrolada, uma nova onda de infecções por Covid-19 e crescentes tensões militares na região, com a população também se perguntando sobre as ligações entre líderes do LDP e do ramo japonês da Igreja da Unificação, conhecido como seita Moon.
O assassinato do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, em julho, por um homem que o acusou de suas supostas ligações com esse grupo religioso fez velhas controvérsias voltarem à tona no Japão.
Kishida havia declarado na semana passada sua intenção de pedir a todos os ministros que esclarecessem suas possíveis ligações com a Igreja da Unificação.
Irmão de Shinzo Abe foi substituído
O irmão de Shinzo Abe, Nobuo Kishi, substituído nesta quarta-feira como ministro da Defesa, oficialmente por motivos de saúde, revelou que membros da seita Moon serviram como voluntários em suas campanhas eleitorais.
Durante uma coletiva de imprensa no final do dia, o primeiro-ministro mostrou-se muito firme nesta questão. “A fim de dissipar a suspeita pública, para esta reforma ministerial, apenas nomeei aqueles que aceitaram minhas instruções estritas de que cada um deles verifique sua relação com o grupo (religioso) e a examine estritamente, de acordo com sua responsabilidade como político”.
O novo ministro da Defesa é Yasukazu Hamada, 66 anos, que já ocupou esse cargo em 2008-2009, atualmente muito exposto no contexto de tensões em torno de Taiwan, a ameaça norte-coreana e a guerra na Ucrânia, e depois que os líderes do PLD estão a favor da duplicação do orçamento nacional da defesa para 2% do PIB.
Esta remodelação também vê o retorno ao governo — a cargo do Digital — do popular Taro Kono, ex-ministro da Defesa e Relações Exteriores e rival de Kishida à frente do PLD em setembro passado.
Sanae Takaichi, colaboradora próxima de Shinzo Abe, conhecida por suas posições ultranacionalistas, foi nomeada para a pasta de Segurança Econômica.
Katsunobu Kato, que anteriormente chefiou o Ministério da Saúde, Emprego e Assuntos Sociais, está retornando a este cargo.
Kishida também manteve cargos-chave: o chefe da diplomacia, Yoshimasa Hayashi; o ministro das Finanças, Shunichi Suzuki, e o secretário-geral do governo, Hirokazu Matsuno.
Seita Moon afirma ser alvo de uma campanha de ódio
A filial japonesa da Igreja da Unificação, conhecida como seita Moon, disse nesta quarta-feira que é alvo de uma “campanha de ódio” e recebeu “ameaças de morte” após o assassinato do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe.
O presidente da filial japonesa do grupo religioso, Tomihiro Tanaka, criticou a mídia em uma entrevista coletiva, dizendo que sua cobertura “odiosa” e “falsa” constitui “perseguição religiosa” e uma “violação dos direitos humanos”.
O suposto assassino de Abe, Tetsuya Yamagami, preso imediatamente após o ataque ao ex-governante, em 8 de julho, estava perseguindo uma “certa organização” com a qual, segundo ele, Abe estava ligado.
A polícia não identificou a organização, mas a mídia local disse que é a Igreja da Unificação, à qual a mãe do suspeito pertencia.
“Nunca cometemos atos violentos ou assassinatos”, mas a igreja está recebendo “ameaças de morte” e alguns de seus membros reclamam de abusos contra eles, incluindo assédio de seus filhos.
Tanaka lamentou que o atual primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, tenha pedido aos membros de seu governo para esclarecer se eles estão relacionados à Igreja da Unificação.
No entanto, ele admitiu que a igreja tem interesses em comum com o PLD, partido de Abe, “fundamentalmente uma oposição ao comunismo”.

Fonte: G1 Mundo