Derrotada nas primárias em Wyoming, Liz Cheney sinaliza confronto direto com Trump em 2024 como candidata do Partido Republicano

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Congressista perde a chance de se reeleger à Câmara dos EUA por se opor ao ex-presidente, que reforçou o controle sobre a legenda Liz Cheney em audiência no Congresso dos EUA
Sarah Silbiger/REUTERS
Derrotada nesse primeiro round contra Donald Trump, a congressista sacrificou seu assento na Câmara dos Representantes dos EUA, mas vislumbra algo maior, em 2024, possivelmente um embate frente a frente com o ex-presidente para a indicação do partido à Casa Branca.
Ela perdeu a chance de se reeleger por Wyoming, por uma diferença de 30 pontos para a novata Harriet Hageman, apoiada por Trump, mas invocou as derrotas de Abraham Lincoln antes de ganhar a presidência dos EUA, para sinalizar que caiu em pé.
“O grande e original campeão do nosso partido, Abraham Lincoln, foi derrotado nas eleições para o Senado e a Câmara antes de vencer a eleição mais importante de todas. Lincoln finalmente prevaleceu, ele salvou nossa União e definiu nossa obrigação como americanos por toda a história”, explicou, ao reconhecer o resultado das urnas.
Liz Cheney durante pronunciamento em 16 de agosto de 2022
Jae C. Hong/AP
A disputa pelas primárias em Wyoming disse muito sobre o estado atual do Partido Republicano. Revelou a força do ex-presidente e seus aliados no controle da legenda. Indicou que sua base está energizada, a despeito da apreensão de documentos ultrassecretos do governo na propriedade do ex-presidente ou do negacionismo sobre a derrota em 2020.
Outro dado importante dá robustez ao triunfo dos candidatos apoiados por Trump nas primárias. Apenas dois dos dez republicanos da Câmara que votaram pelo seu impeachment, após o motim de 6 de janeiro, sobreviveram à disputa pela reeleição. Quatro desistiram antes da derrota e quatro perderam.
No terceiro mandato, Liz Cheney tornou-se a face mais visível do confronto interno com o ex-presidente. Trilhou o caminho mais difícil: de estrela em ascensão, perdeu prestígio interno e foi expurgada da terceira posição na linha de frente do partido. Contudo, manteve-se desafiadora, principalmente quando aceitou a nomeação como vice-presidente da comissão da Câmara que investiga a atuação de Trump na invasão do Capitólio.
Liz Cheney durante pronunciamento em 16 de agosto de 2022
Jae C. Hong/AP
Nas nove audiências, ela foi combativa, ao ressaltar as evidências de que Trump instigou seus partidários a impedir a certificação de Joe Biden para reverter o resultado eleitoral. “Ele chamou a multidão e acendeu a chama desse ataque”, atestou a congressista republicana, na sessão de abertura do comitê.
O preço pode parecer alto, mas Cheney deu a entender que a derrota é apenas um recomeço de sua luta para impedir que Donald Trump chegue novamente perto do Salão Oval da Casa Branca, conforme ela enfatizou ao admitir a derrota.
“Essa eleição primária acabou, mas o verdadeiro trabalho começa”, antecipou. Como marca desse simbolismo, os alto-falantes ecoavam a música “I won’t back down” (“Eu não vou recuar”), de Tom Petty, quando ela deixou o pódio da derrota, em Jackson.

Fonte: G1 Mundo