Carpinteiro demora três dias para ir ao hospital após picada de cobra e tem piora na saúde: ‘Não aconselho ninguém fazer o que fiz’

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Mozair Bronzinga está internado há quase uma semana em hospital para se recuperar. Balanço aponta que mais de 70 pessoas foram picadas por animais venenosos no ano passado em Araguaína. Araguaína registrou mais de 70 acidentes com animais peçonhentos em 2022
O carpinteiro Mozair Bronzinga foi picado por uma cobra e demorou três dias para buscar atendimento médico. A demora fez com que o estado de saúde dele piorasse. Ele está internado há quase sete dias no Hospital de Doenças Tropicais (HDT) de Araguaína para se recuperar: “Não aconselho ninguém a fazer o que eu fiz”, disse.
Mozair mora em Barra do Ouro. Ele relatou à equipe da TV Anhanguera que dias atrás estava abrindo um tanque para peixes. No momento em que mexeu em um tijolo, uma jararaca caiu em cima e picou do pé do trabalhador.
Ele disse que no momento teve a impressão de que o animal tinha apenas arranhado o pé dele. O carpinteiro foi até uma loja de produtos agropecuários e comprou um contra veneno. Apesar das dores e dos incômodos, continuou em casa, até perceber que a situação estava só piorando.
“Eu tomei esse contra veneno pensando que iria melhorar alguma coisa, só que não fez muito bem porque fez foi piorar. Se eu tivesse procurado um médico logo, eu estaria melhor. Eu não aconselho ninguém a fazer o que eu fiz”, disse.
Paciente procurou atendimento após três dias que foi picado por cobra
Reprodução/Tv Anhanguera
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No ano passado, 73 pessoas foram picadas por animais venenosos em Araguaína. A recomendação é que a vítima busque atendimento rapidamente para evitar maiores danos à saúde.
No norte do Tocantins, os pacientes vítimas de ataques, são encaminhados para o HDT, onde recebem o soro antiofídico, utilizado para tratar os efeitos do veneno.
“As complicações clínicas estão diretamente relacionadas com o manejo pré-hospitalar que foi dado a essa vítima, que muitas vezes, no caso da população pediátrica, é realizada pelos pais ou outros cuidadores. Então, por exemplo, o uso de torniquetes, passar alguma substância irritante, são manejos inadequados para essa situação”, explicou o médico do HDT, Dário da Silva Júnior.
A Ana Laula Pereira, de 7 anos, entrou nessa estatística. No ano passado, enquanto brincava com o cachorrinho de estimação, na chácara dos avós, ela foi picada por uma cobra cascavel.
“De repente, um negócio me picou. Achei que era um graveto, mas quando eu olhei, era uma cobra. Eu saí correndo falando: ‘Mamãe, mamãe, uma cobra me picou’”, contou a garotinha.
A menina teve que ser levada às pressas ao hospital. “Peguei logo, coloquei ela no carro, já trouxe para o hospital, foi bem rápido. Da hora que a cobra picou até chegar ao hospital, foi em média 30 minutos, mas fiquei bem agoniada”, enfatizou a mãe Vanilda Pereira.
Garrafa com escorpiões
Garrafa cheia de escorpiões encontrados em casa
Reprodução/TV Anhanguera
O Tocantins registrou 4.901 acidentes envolvendo animais peçonhentos em todo ano de 2022. O ataque de escorpiões está no topo da lista, com 1.791 casos. Em Palmas, uma moradora conseguiu encher um litro de álcool só com esses animais.
Na casa da Kiara Lúbia Carvalho, a sujeira não é motivo para o aparecimento de tantos escorpiões. Ela cuida muito bem do lugar, mesmo assim conseguiu encher uma garrafa com os bichos.
A mulher mora com as filhas e o marido. Eles entram na casa olhando para cima porque os escorpiões costumam ficar escondidos entre as madeiras e a telha. Apesar de tanto cuidado, não teve jeito e um acidente acabou acontecendo com uma das filhas.
“Foi enfiando a mão para desvirar a calça para ir para à escola e ele picou na mão dela”, contou.
Veja a lista com os tipos de ataques mais registados:
Escorpiões – 1.791
Serpentes – 704
Abelhas – 580
Arraias – 507
Aranhas – 291
Marimbondos – 267
Lagartas – 220
Outros animais – 541
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Fonte: G1 Tocantins